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Proteção ao investidor ganha novo peso na regulação de criptoativos

Diego VelázquezPor Diego Velázquezjulho 15, 2026Nenhum comentário4 Mins de lectura
Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

Diante das mudanças que o Banco Central promoveu no mercado de ativos virtuais, Paulo de Matos Junior, profissional com atuação consolidada em câmbio e intermediação de criptoativos, monitora um aspecto pouco explorado nas discussões sobre o novo marco regulatório: o reforço das garantias voltadas diretamente ao consumidor final.

Além de disciplinar a autorização e o funcionamento das Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais, as novas normas trazem exigências específicas de identificação de clientes, segurança cibernética e segregação patrimonial, temas que ganham peso crescente à medida que o volume de operações com criptoativos se expande no país e atrai perfis cada vez mais diversos de investidores.

Identificação de clientes ganha peso nas novas regras

As PSAVs passam a observar regras de identificação já aplicadas a instituições financeiras tradicionais, com base na Circular nº 3.978, incluindo o registro de informações mínimas sobre a finalidade das transações e o volume mensal de compras, vendas e trocas de ativos virtuais referenciados em moeda fiduciária. De fato, a exigência amplia a rastreabilidade das operações realizadas por cada cliente ao longo do tempo.

Tal como menciona Paulo de Matos Junior, o reforço na identificação de clientes tende a reduzir espaços para uso indevido de contas e carteiras, ainda que amplie a burocracia enfrentada por investidores acostumados a processos mais simples em plataformas menos reguladas.

Segurança cibernética e segregação de recursos tornam-se obrigatórias

O novo arcabouço normativo exige que as PSAVs mantenham política de segurança cibernética compatível com o porte e a complexidade de suas operações, incluindo controles de acesso, gestão de incidentes e planos de continuidade de negócios. A ausência desses controles pode comprometer diretamente a concessão ou a manutenção da autorização junto ao Banco Central, além de expor clientes a riscos que a regulação busca justamente mitigar.

Paulo de Matos Junior, em sua experiência como empresário do segmento financeiro, demonstra que a segregação dos recursos de clientes em relação ao patrimônio próprio das PSAVs representa uma das mudanças mais relevantes para a proteção do investidor, já que reduz o risco de perda de ativos em caso de dificuldades financeiras enfrentadas pela própria instituição.

Paulo de Matos Junior
Paulo de Matos Junior

O que muda para o consumidor final?

Investidores que utilizam PSAVs autorizadas passam a contar com canais formais de reclamação e mecanismos de resolução de disputas semelhantes aos já disponíveis para clientes de bancos e instituições de pagamento. Empiricamente, a padronização desses canais tende a facilitar o acompanhamento de eventuais problemas por parte do próprio Banco Central.

Tal avanço aproxima a experiência do investidor de criptoativos daquela já conhecida por clientes do sistema financeiro tradicional, reduzindo a dependência exclusiva de canais informais de suporte oferecidos por corretoras e plataformas de negociação de ativos virtuais.

Confiança do investidor deve moldar próxima fase do mercado cripto

A combinação entre identificação de clientes, segurança cibernética e segregação patrimonial tende a fortalecer a confiança de investidores institucionais e pessoas físicas na hora de escolher onde alocar recursos em ativos virtuais. Tal conjunto de exigências caminha lado a lado com a maturação da regulação do mercado de criptomoedas no Brasil, em um momento no qual bancos, fintechs e empresas nativas do setor cripto disputam espaço sob as mesmas regras prudenciais.

O acompanhamento desse processo deve seguir atento à forma como a inovação financeira do setor convive, nos próximos anos, com padrões de proteção cada vez mais próximos aos do sistema bancário tradicional.

Como conclui Paulo de Matos Junior, o amadurecimento dessas garantias deve se tornar um diferencial competitivo entre as PSAVs nos próximos anos, à medida que investidores passam a considerar não apenas o custo das operações, mas também o nível de proteção oferecido por cada instituição autorizada.

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